sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Pescoços


Pescoços, que são pescoços? Não lhes chamaria pescoços! Eu diria que são as vias que albergam os orificios da verdade e da falsidade! Ali circundam palavras, secretas e indiscretas, ausentam-se até à sua revelação! São os orificios que nos contaminam os organismos e onde corre fluidamente o nosso ego fogoso! Chamas que se desenvolvem na alma e pulmões que se soltam em piromania gracejante e pesada. As palavras quotidianas que libertamos, um pedaço de chama que se liberta para o exterior! Somos seres semelhantes a dragões exuberantes! Rios sangrentos que alimentam nossa cabeça cheia de pensamentos fúteis e ricos! Carótidas elas se chamam! Pescoço corporal esponjoso, frágil, que nos enaltece em fragilidade. Um corpúsculo indefeso que vive colado a nós, de quem nós dependemos. Irriga sangue que alimenta as retinas, nossas visões cruas, consolantes ou impossiveis! Resumindo em palavras definitivas, o veneno de ilusão! O espectro que nos atribui cor e vida! São estes veludos sedutores sobre as nossas peles que se estendem sobre pescoços das visceras elegantes! Temos receio de o quebrar, pois sua quebra é desastrosa, destruindo graciosidades nossas!

1 comentário:

Ana Sofia disse...

Bem, na minha opinião, o pescoço é das partes mais bonitas do nosso corpo.

É pena é que, nem sempre, nele circulem verdades, palavras ternurentas e honestas, mas sim palavras hipócritas e falsas.

Adorei o teu texto*