terça-feira, 13 de julho de 2010

Aversões

No outro dia caminhava, sentia uma leve gelatina que parecia derreter-se sobre os meus olhos, era uma sensação de vazio e de simulação contínua mas que parecia dilatar-se naquele preciso momento. Não sei o porquê destas sensações aleatórias e cumulativas, muitas vezes os meus olhos parecem ser televisores que repetem incansavelmente a mesma gravação, a mesma cassete. A programação já não sabia o significado das diferentes estações, os ecrãs estavam mergulhados num estranho e monótono invólucro cor de cinza. Era como o doce e bizarro sabor de uma pêra que acaba de ser embriagada num vinho melancólico. Ainda não descobri o botão de "zapping" frenético e quase alucinogénico que outrora conheci, a êxtase do tudo novo e a anulação dos novos anteriores. Quero mudar de canais, quero mudar de programações, quero que os meus olhos sejam aquários e não televisores. E assim, quero encher estes aquários com riquezas e não círculos repetitivos! Odeio as coisas repetitivas que esta humanidade ama, o carneirismo, a religião, as modas, o elitismo, o consumismo, as atrocidades, os juízos ocos, as competições sem sentido, odeio! Quero sentir os aquários a navegar sobre águas desconhecidas cujas profundidades me conduzem a um metafísico desejável, as melodias de tudo aquilo que não existe. Os meus aquários não são feitos de vidro, são inconstantes, assumem as formas que forem precisas para assim saltarem de metafísico em metafísico. Quero que o meu coração seja harmónica, que dê som infindável, sentir sopros constantes e naturais e esquecer tudo aquilo se esconde por detrás do rochedo.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Ardes and Fuckin Freudian Drives!







A Pulsão Mortal de Ardes!

Fotografia: Tiago Araújo
Modelo: Horácio Frutuoso

segunda-feira, 5 de julho de 2010

domingo, 27 de junho de 2010

"Intro-Espectro" fanzine















Dimensão espectral refere-se o introspectivo espectro, o interior oceânico banhado na polaridade de pulsões freudianas. Ardes vinga-se dos seres decadentes humanos, desalmados tal como ele. A carnificina impulsiva é perda de tempo, sensações de êxtase natural era realmente o que estava em vigor, Ardes será salvo pela "Xerazade" inicialmente duvidosa e androgina que lhe irá revelar a dolorosa verdade acerca da sua necrópole. As dimensões oceânicas resumem-se a puras e simples idealizações, flutuações desejadas e incorrespondidas, o corvo irá dilatar as minhas retinas e fazer o lobo nascer em mim, a pura e simples falta de conformismo.

sábado, 5 de junho de 2010

Indigestão de corações

Era uma vez um ser narigudo qualquer
Gostava de comer corações
Corações aleatórios com frenético bombear
Temperá-los com sal e pimenta
Mas ficava admirado
Quando olhava para o fundo da sua sanita
E observava um pequeno ser humano
A flutuar na diarreia dos corações ingeridos
Ser humano que era da espécie "homo corruptus"

sábado, 29 de maio de 2010

segunda-feira, 24 de maio de 2010

A Lição do Corvo

O Corvo sussurrou uma lição ao meu ouvido que eu terei sempre em conta:


“Assim te recebo no meu colo meu caro Leonardo, para te dar
o sermão deveras marcante da tua vida: não existe tanque
magnânimo e ilusório que te iluda uma vida inteira, por
muito que sonhes abraços de baleias ou com crepúsculos
idealizados, os seres mecanicistas
que compõem o rebanho deste pérfido mundo nunca
imaginaram os abraços das baleias, esses só sabem imaginar um
sábio falhado e omnipotente cujas éticas são inquestionáveis e
lhes retiram total autonomia. A palavra “deus” deve ser
pronunciada com letra minúscula, porque a piedade vinda deste
ser enfraquece, motiva a passividade perante a vida.
Tu serás o lobo que não se conforma com o rebanho,
que irá criar dimensões infindáveis sem se reger por qualquer tipo
de cânone.
Este jogo que foi aberto à humanidade está mais do que
viciado e aldrabado. Tu serás e terás que ser a emancipação..."