Mantenho o meu olhar fixo na porta, naquela porta branca de uma brancura brilhante de mistério que me intimidava naquele canto. Esperei minutos, só sei que mantinha o meu olhar a boiar sobre o vácuo, à espera que estes véus da monotonia que cansavam as minhas vistas apodrecessem de vez. Mas sentia que aquela brancura se iria estilhaçar, não me conformava com aquilo que observava, estava inquieto, nervoso, sentia que a paisagem se iria desmoronar. Mas no bom ou no mau sentido? Nem sequer sabia se esse derreter de tonalidades brancas teria repercussões positivas ou negativas. A porta rangia de uma forma assombrosa, abria lentamente e a atmosfera passiva tinha sido completamente desfeita. As suas duas patas equilibravam a sua altura colossal e respeitosa, com costelas que sobressaíam à flor da sua pele e o seu focinho espreitava lentamente pela berma da porta enquanto que as paredes se ondulavam, distorcendo todo aquele cenário de forma imperceptível. Os olhos daquele cavalo pareciam esbugalhar-se à medida que a sua presença se impunha progressivamente no cenário. Dirigia-se lentamente até a mim, eu mantinha-me intacto sentado nem sei aonde, apreciava a anatomia daquele animal com estranhas linhas espinhosas que lhe rondavam a cabeça, com crinas que se prolongavam pelo seu dorso abaixo como cascatas. Apreciava o medo que se instalava nas pulsações rápidas do meu corpo, o meu hábito em observar tudo o que me rodeia como algo sujeito ao mutável finalmente fez parte do real. Inclinava-se perante o meu olhar em contrapicado, e em lentas e arrastadas palavras, ele dizia: “Eu sou Jesus Cristo, e preciso de um terapeuta”.
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quarta-feira, 16 de março de 2011
sexta-feira, 11 de março de 2011
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Corvo Sorridente
O corvo do museu de zoologia que estou a desenhar para uma suposta "ilustração cientifica", ele parece que está a sorrir para mim e parece ter a vontade de piscar-me o olho à medida que os esquissos iniciais se vão desenvolvendo. Insisto em vincar-lhe aquele sorriso que, segundo o meu professor de desenho, diz ser uma tendência que todos nós temos para personificar o real e o que nos rodeia. Se existe fuga mais apetecível é à representação congelada de um mundo na sua desordem. Mas se aquele corvo não estivesse mórbido e fixo naquele pedestal, acho que teria toda a vontade de sorrir perante mim e o meu diário gráfico Porque afinal de contas, somos muito parecidos!
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
domingo, 5 de dezembro de 2010
domingo, 17 de outubro de 2010
Love Will Tear us Apart

When the routine bites hard
And ambitions are low
And the resentment rides high
But emotions won't grow
And we're changing our ways
Taking different roads
Then love, love will tear us apart again
Why is the bedroom so cold
Turned away on your side?
Is my timing that flawed
Our respect run so dry?
Yet there's still this appeal
That we've kept through our lives
Love, love will tear us apart again
Do you cry out in your sleep
All my failings exposed
Get a taste in my mouth
As desperation takes hold
Is it something so good
Just can't function no more?
When love, love will tear us apart again
Joy Division
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Insónias
Já sei o que de vez em quando me faz insónias. É a porra de um tubarão-frade que a meio da noite se lembra de me dar sermões existenciais e irritantes. Mas o tubarão não é propriamente um frade, é um filósofo realista e pessimista, mas daqueles com ego irritante e difícil de aturar O que vale é que eu gosto de sopa de barbatana de tubarão, logo quem está fodido é ele! Já foste!
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domingo, 15 de agosto de 2010
Delírio Esfumado
Era sem dúvida delirante. Sendo a experiência e a apreciação uma coisa constantemente variante e subjectiva sempre mencionei que estas não podem ser facilmente manipuláveis ou influenciáveis. Somos júris individuais ao apreciar aquilo que nos rodeia e o facto de sermos apreciadores individuais em grande parte das vezes é um factor que individualiza a nossa pessoa e nos converte à unicidade. Absorvemos situações, são nos deixadas pegadas temporais de diferentes dimensões sobre as nossas peles, o que torna a aprovação de influências um processo unicamente nosso.
E foi no dia 12 de Agosto, o imprevisível nevoeiro invadiu Aveiro. Ele pousa sempre de uma forma melancólica, ao mesmo tempo de uma belíssima forma, é eufemismo de si próprio, impõe à nossa frente uma camada de enigmas que alimentam um curioso e bonito mistério cujos passos desfazem fechaduras. Era uma espécie de tenebrismo iluminado, mas o delírio ainda nem sequer tinha chegado. O pinhal que se impunha à minha volta já tinha feito um chamamento bastante sedutor, as árvores escondiam-se em profundidades tímidas naquele dito nevoeiro. O belo está na solidão das linhas de horizonte, na forma como são deixadas sóbrias sem funções mecânicas, derretem-se sobre as planícies, a areia e todo o tipo de belo terreno.
Os meus pés iam caminhando sobre a areia, o tenebrismo iluminado no nevoeiro construiu uma arquitectura gasosa e espessa naquela praia, o mar calmo surgia como um ornamento que acasalava em harmonia com a pálida areia. Véus brancos em danças monótonas, ocultavam verdades inexistentes e oníricas alimentadas pelo meu ego. Em ansiedade, os meus passos levavam-me a encontros subliminares, de um subliminar que só me pertence. E o mar lembrava-me os orvalhos verdes e tímidos que em tempos gostei imenso de contemplar. Os meus olhos boiavam perante a paisagem, sendo arejados, a única coisa que queria naquele momento sem repetição possível era isolar-me e esquecer que as pessoas, as cidades e o sistema existem. Esta é a memória fotográfica de um momento metafísico, um tangente abandono do físico.
E foi no dia 12 de Agosto, o imprevisível nevoeiro invadiu Aveiro. Ele pousa sempre de uma forma melancólica, ao mesmo tempo de uma belíssima forma, é eufemismo de si próprio, impõe à nossa frente uma camada de enigmas que alimentam um curioso e bonito mistério cujos passos desfazem fechaduras. Era uma espécie de tenebrismo iluminado, mas o delírio ainda nem sequer tinha chegado. O pinhal que se impunha à minha volta já tinha feito um chamamento bastante sedutor, as árvores escondiam-se em profundidades tímidas naquele dito nevoeiro. O belo está na solidão das linhas de horizonte, na forma como são deixadas sóbrias sem funções mecânicas, derretem-se sobre as planícies, a areia e todo o tipo de belo terreno.
Os meus pés iam caminhando sobre a areia, o tenebrismo iluminado no nevoeiro construiu uma arquitectura gasosa e espessa naquela praia, o mar calmo surgia como um ornamento que acasalava em harmonia com a pálida areia. Véus brancos em danças monótonas, ocultavam verdades inexistentes e oníricas alimentadas pelo meu ego. Em ansiedade, os meus passos levavam-me a encontros subliminares, de um subliminar que só me pertence. E o mar lembrava-me os orvalhos verdes e tímidos que em tempos gostei imenso de contemplar. Os meus olhos boiavam perante a paisagem, sendo arejados, a única coisa que queria naquele momento sem repetição possível era isolar-me e esquecer que as pessoas, as cidades e o sistema existem. Esta é a memória fotográfica de um momento metafísico, um tangente abandono do físico.
Abraços congelados e Pensamentos de Corvo

Abraços de lobo numa altura destas tornam-se anacrónicos de uma forma lenta e triste, são fragmentos que montam um lento glaciar que se aloja em secretos ventrículos. O nevoeiro do asco torna-se espesso, a estandardização dos humanos é contínua, o seu sistema sofre de falta de insólito. Os mecanismos não conhecem mitologias, aquelas mitologias banhadas em verdes e bonitos orvalhos. Toda a gente insiste, insiste em que vejamos o mundo como uma roda dentada e industrial, lubrificá-lo com merda só o faz mais brilhante por ridículo que seja. A programação de televisores oculares repete as suas enfadonhas gravações de forma a inserirem-se na minha organização psíquica, para que sejam aceites em plena passividade. Mas o calor das minhas órbitas ainda vai fazer derreter esses televisores de uma vez por todas, desfazendo as suas camadas de filtro cinzento.
Eles querem que eu veja o mundo como uma roda dentada, e eu disse que Não!
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terça-feira, 3 de agosto de 2010
Sketching (2)
Estive no Milhões de Festa e em Paredes de Coura, apesar dos moches e de todo o Headbang!, não parei de desenhar!
Gallows foi violento, mas um concerto épico, estava ansioso também por ver Peter Hook e Enter Shikari, The Prodigy surgiu como uma electricidade final!
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terça-feira, 13 de julho de 2010
Aversões
No outro dia caminhava, sentia uma leve gelatina que parecia derreter-se sobre os meus olhos, era uma sensação de vazio e de simulação contínua mas que parecia dilatar-se naquele preciso momento. Não sei o porquê destas sensações aleatórias e cumulativas, muitas vezes os meus olhos parecem ser televisores que repetem incansavelmente a mesma gravação, a mesma cassete. A programação já não sabia o significado das diferentes estações, os ecrãs estavam mergulhados num estranho e monótono invólucro cor de cinza. Era como o doce e bizarro sabor de uma pêra que acaba de ser embriagada num vinho melancólico. Ainda não descobri o botão de "zapping" frenético e quase alucinogénico que outrora conheci, a êxtase do tudo novo e a anulação dos novos anteriores. Quero mudar de canais, quero mudar de programações, quero que os meus olhos sejam aquários e não televisores. E assim, quero encher estes aquários com riquezas e não círculos repetitivos! Odeio as coisas repetitivas que esta humanidade ama, o carneirismo, a religião, as modas, o elitismo, o consumismo, as atrocidades, os juízos ocos, as competições sem sentido, odeio! Quero sentir os aquários a navegar sobre águas desconhecidas cujas profundidades me conduzem a um metafísico desejável, as melodias de tudo aquilo que não existe. Os meus aquários não são feitos de vidro, são inconstantes, assumem as formas que forem precisas para assim saltarem de metafísico em metafísico. Quero que o meu coração seja harmónica, que dê som infindável, sentir sopros constantes e naturais e esquecer tudo aquilo se esconde por detrás do rochedo.
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domingo, 27 de junho de 2010
"Intro-Espectro" fanzine
Dimensão espectral refere-se o introspectivo espectro, o interior oceânico banhado na polaridade de pulsões freudianas. Ardes vinga-se dos seres decadentes humanos, desalmados tal como ele. A carnificina impulsiva é perda de tempo, sensações de êxtase natural era realmente o que estava em vigor, Ardes será salvo pela "Xerazade" inicialmente duvidosa e androgina que lhe irá revelar a dolorosa verdade acerca da sua necrópole. As dimensões oceânicas resumem-se a puras e simples idealizações, flutuações desejadas e incorrespondidas, o corvo irá dilatar as minhas retinas e fazer o lobo nascer em mim, a pura e simples falta de conformismo.
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quinta-feira, 9 de julho de 2009
Satanic Rites of Drugula
Ainda hei-de ilustrar esta música!
O Doom Metal na sua melhor forma! Electric Wizard em brutalidade com "Satanic Rites of Drugula"
Por um lado também estou de luto, porque vou perder o cartaz magnânimo do Optimus ALIVE: Machine Head, Lamb of God, Mastodon, SLIPKNOT!, Metallica.
sábado, 23 de maio de 2009
O Soltar da máscara e as "Catharsis" sucessivas
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Silent Box
Logo para começar este 2009, ando sem uma pinga de inspiração. Isto com o tempo torna-se extremamente irritante, nem um único desenho, poema, pintura, nada! Às vezes ponho-me a matutar acerca das pequenas coisas do meu dia-à-dia que me prendem as plantas dos pés demasiado à terra e isso às vezes é uma barreira à minha criatividade, pois impede-me de ver o além do que me rodeia.
(Suspiro)
Saudades de um bafo de Lobo sobre a minha bochecha, saudades do adoenticio instantâneo só meu e que esta doença se torne ainda mais incurável!
Está na altura de ser grandioso, estou em boa altura de alcançar submundos intensos, grotescos, apocalipticos e de dimensões ciclópicas.
(Suspiro)
Saudades de um bafo de Lobo sobre a minha bochecha, saudades do adoenticio instantâneo só meu e que esta doença se torne ainda mais incurável!
Está na altura de ser grandioso, estou em boa altura de alcançar submundos intensos, grotescos, apocalipticos e de dimensões ciclópicas.
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Abismos Proibidos
Já nem sei
Que abismo é merecedor
Merecedor dos meus passos
Estes abismos não cessam
Sucedem e perseguem-se
Como espectros poderosos
Quando é que meus passos
Irão subir o torreão de um castelo
Um castelo construído sobre crepúsculos
Crepúsculos de sons harmónicos
Cada vez temo mais
As facadas da ausência
Ausência da correspondência
Não há beijo que me salve
Uma rosa do crepúsculo
De amores aleatórios
Cresceu e cresceu
Acabando desgraçadamente
Banhada numa maresia de esqueletos
Ó Lobo que uivas
Criaturas resguardadas e chorosas
Perdoem este ninho do nada
Do nada que nada pariu
Nem fruto saudável fez germinar
Madeiras velhas de secretárias
Sobre as torres da minha mente
Abro as fechaduras douradas
Para visionar aquele caos ambiental
Papéis dispersos e alegóricos
O dilúvio de gavetas
Minha alma incendia-se
Em chamas e símbolos de coragem
Carnes de minha mão querem arrumar
Caos de minhas gavetas
Um arrumar calmo de pensamentos
Arrumando um trilho de lágrimas
O terraço dos sonhos
Repleto de rosas mastigadas
Um mundo proibido que rejeita meu passo
Estarei eu, destinado
A engolir crânios a minha vida inteira?
Que abismo é merecedor
Merecedor dos meus passos
Estes abismos não cessam
Sucedem e perseguem-se
Como espectros poderosos
Quando é que meus passos
Irão subir o torreão de um castelo
Um castelo construído sobre crepúsculos
Crepúsculos de sons harmónicos
Cada vez temo mais
As facadas da ausência
Ausência da correspondência
Não há beijo que me salve
Uma rosa do crepúsculo
De amores aleatórios
Cresceu e cresceu
Acabando desgraçadamente
Banhada numa maresia de esqueletos
Ó Lobo que uivas
Criaturas resguardadas e chorosas
Perdoem este ninho do nada
Do nada que nada pariu
Nem fruto saudável fez germinar
Madeiras velhas de secretárias
Sobre as torres da minha mente
Abro as fechaduras douradas
Para visionar aquele caos ambiental
Papéis dispersos e alegóricos
O dilúvio de gavetas
Minha alma incendia-se
Em chamas e símbolos de coragem
Carnes de minha mão querem arrumar
Caos de minhas gavetas
Um arrumar calmo de pensamentos
Arrumando um trilho de lágrimas
O terraço dos sonhos
Repleto de rosas mastigadas
Um mundo proibido que rejeita meu passo
Estarei eu, destinado
A engolir crânios a minha vida inteira?
Tiago Araújo
sábado, 25 de outubro de 2008
Memória descritiva de uma semente que se alastrou em meu coração e plantou florestas
Semente que caiu sobre as mãos de um somente, desconhecendo os cúmulos de sua origem.
Desafios em cantos líricos pairavam em sinapses nervosas, o olhar de inconsciente indefeso, inútil e patético adolescente. Dúvidas se suscitavam em conjunto com lirismos, satanismos que o forçavam a abrir as peles e costelas uma a uma. Gestos inconscientes, intenção indolor se sentia ao visionarmos veias que se abriam sobre seu peito e engoliam a semente em escudos de seus pesadelos. Florestas e arvoredos com personalidade exuberante se abriam nos seus ventriculos e auriculas, as carnes absorviam seivas negras e doces e entretanto, surge uma evolução do anterior sujeito que atinge um patamar extremista de rebeldia de sua própria consciência moral, um comandante dos bosques negros do negrume das almas, o fartar de uma imperfeição acumulada por aquilo que nos rodeia, a destruição implacável de toda a nossa fragilidade!
Desafios em cantos líricos pairavam em sinapses nervosas, o olhar de inconsciente indefeso, inútil e patético adolescente. Dúvidas se suscitavam em conjunto com lirismos, satanismos que o forçavam a abrir as peles e costelas uma a uma. Gestos inconscientes, intenção indolor se sentia ao visionarmos veias que se abriam sobre seu peito e engoliam a semente em escudos de seus pesadelos. Florestas e arvoredos com personalidade exuberante se abriam nos seus ventriculos e auriculas, as carnes absorviam seivas negras e doces e entretanto, surge uma evolução do anterior sujeito que atinge um patamar extremista de rebeldia de sua própria consciência moral, um comandante dos bosques negros do negrume das almas, o fartar de uma imperfeição acumulada por aquilo que nos rodeia, a destruição implacável de toda a nossa fragilidade!
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Canção do Corvo para o Cisne
O Ultra Romantismo do Sec. XIX dominava as mentes da época! Trajectos frios de cinza, negrume dos trajes que circuncisavam cidades entristecidas. Em mansões isolavam-se artistas, poetas perdidos no seu abismo interior de dimensões do fantástico. Deliciosas eram todas elas, sim eu compreendo-vos! A vida é dura e os pesos que ela nos carrega são diversos e das mais complexas formas. Rosto pálido e devastado era o do escritor Timothy Thalmadge, o chamado "poeta sem sobrancelhas". Miserável e rico era ele, vivendo só na sua mansão concentrado em madeiras velhas de secretárias, despedaçado coração de ver a sua mulher adornada por um leito de morte. Iluminação de velas eram invocações de caos na sua mente. Rumores diziam que este não usava tinta para escrever, mas sim sangue! Sangue era a sua tinta, que tanto consumiu até ter desmaiado em puros fatos pálidos! Reencarnações, sim todos acreditam, pois todos querem fugir da cegueira do limbo. Mas sim, Timothy fugiu deste lugar com sucesso. Reencarnando nas condições do animal da morte, o corvo! O corvo que vagueava habitações tumulares contrastando com as cinzas da época. Ousou a alegoria de Timothy Thalmadge trespassar as grades que dividiam campas. Explorou um lago e deu de caras com um cisne! O cisne da sua falecida esposa. Mas estas espécies, tão distintas uma da outra: a rebeldia do corvo e a graciosidade do cisne. As penas caiam lentamente das asas do corvo, enchendo um lago de prata em particulas negras. O corvo nunca poderá, nem ousará boiar aquele lago de amores. O corvo encontrou dor, de vivo e de morto, afinal ambas existiam! Visionava o humano numa ave, bicos eram lábios, asas eram braços angélicos, pescoço era elegância, penas eram as visceras que se eriçavam em sexualidade eufórica.
O verão das vidas há de sempre morrer depressa. Não se pode pedir justificações, porque muitas vezes parecem inúteis. O corvo corria o risco de se depenar a partir de agora, sempre que tentava trespassar aquelas grades. Um circulo de traições e novos rumos nos aparece perante a vida, temos que o aceitar infelizmente! Timothy cantou, durante anos, a canção de um corvo para um cisne distante: " Incorrespondências são demasiadas, solidões não faltam, pensamentos não param de planar no preto desta mente, Cinzas espalham-se em corredores, os sangues escoaram-se sobre folhas de papel que me despiram as carnes lentamente".
O verão das vidas há de sempre morrer depressa. Não se pode pedir justificações, porque muitas vezes parecem inúteis. O corvo corria o risco de se depenar a partir de agora, sempre que tentava trespassar aquelas grades. Um circulo de traições e novos rumos nos aparece perante a vida, temos que o aceitar infelizmente! Timothy cantou, durante anos, a canção de um corvo para um cisne distante: " Incorrespondências são demasiadas, solidões não faltam, pensamentos não param de planar no preto desta mente, Cinzas espalham-se em corredores, os sangues escoaram-se sobre folhas de papel que me despiram as carnes lentamente".
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