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domingo, 8 de maio de 2011

The Basking Shark Surrender


O Tubarão-Frade rende-se perante o Ragnarok, as lobas minam o seu psicológico com a sua bela argumentação, cada ser humano a partir de agora poderá ser Deus de si próprio!

quarta-feira, 16 de março de 2011

Christo Cavalo

Mantenho o meu olhar fixo na porta, naquela porta branca de uma brancura brilhante de mistério que me intimidava naquele canto. Esperei minutos, só sei que mantinha o meu olhar a boiar sobre o vácuo, à espera que estes véus da monotonia que cansavam as minhas vistas apodrecessem de vez. Mas sentia que aquela brancura se iria estilhaçar, não me conformava com aquilo que observava, estava inquieto, nervoso, sentia que a paisagem se iria desmoronar. Mas no bom ou no mau sentido? Nem sequer sabia se esse derreter de tonalidades brancas teria repercussões positivas ou negativas. A porta rangia de uma forma assombrosa, abria lentamente e a atmosfera passiva tinha sido completamente desfeita. As suas duas patas equilibravam a sua altura colossal e respeitosa, com costelas que sobressaíam à flor da sua pele e o seu focinho espreitava lentamente pela berma da porta enquanto que as paredes se ondulavam, distorcendo todo aquele cenário de forma imperceptível. Os olhos daquele cavalo pareciam esbugalhar-se à medida que a sua presença se impunha progressivamente no cenário. Dirigia-se lentamente até a mim, eu mantinha-me intacto sentado nem sei aonde, apreciava a anatomia daquele animal com estranhas linhas espinhosas que lhe rondavam a cabeça, com crinas que se prolongavam pelo seu dorso abaixo como cascatas. Apreciava o medo que se instalava nas pulsações rápidas do meu corpo, o meu hábito em observar tudo o que me rodeia como algo sujeito ao mutável finalmente fez parte do real. Inclinava-se perante o meu olhar em contrapicado, e em lentas e arrastadas palavras, ele dizia: “Eu sou Jesus Cristo, e preciso de um terapeuta”.

sábado, 5 de março de 2011

Sweet December of the Capricornius









" O Capricórnio é um animal solitário. Lento, estável, perseverante. Vive em diversos níveis ao mesmo tempo. Pensa em círculos. Sente o fascínio da morte. E prossegue numa escalada constante. Provavelmente à procura do edelweiss. Ou será da immortelle? Não reconhece a sua origem; apenas as suas ascendências. Ri pouco e quase sempre inoportunamente. Colecciona amigos com a mesma facilidade com que outros juntam selos, mas é um ser insociável. Em vez de ser delicado, fala com toda a franqueza. Metafísica, abstracções, manifestações electromagnéticas. Perde-se nos abismos. Vê estrelas, cometas, asteróides, onde apenas os outros enxergam mancha, verrugas e erupções. Quando se cansa de fingir que é o homem que come tubarões, alimenta-se de si próprio. Um paranóico. Um paranóico ambulatório. Mas de afeições e ódios constantes. Ouai!"


Henry Miller - A Devil in Paradise (1956)


Este é o doce Dezembro do Capricórnio que vai ser publicado na primeira edição do "Lodaçal Comix"

domingo, 27 de junho de 2010

"Intro-Espectro" fanzine















Dimensão espectral refere-se o introspectivo espectro, o interior oceânico banhado na polaridade de pulsões freudianas. Ardes vinga-se dos seres decadentes humanos, desalmados tal como ele. A carnificina impulsiva é perda de tempo, sensações de êxtase natural era realmente o que estava em vigor, Ardes será salvo pela "Xerazade" inicialmente duvidosa e androgina que lhe irá revelar a dolorosa verdade acerca da sua necrópole. As dimensões oceânicas resumem-se a puras e simples idealizações, flutuações desejadas e incorrespondidas, o corvo irá dilatar as minhas retinas e fazer o lobo nascer em mim, a pura e simples falta de conformismo.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Ardes e a Necrópole Intestinal



Sobre savanas infindáveis que ardiam sob a fúria do imponente Leão Ardes, os leitos da carnificina estendiam-se sobre as ervas como um sumo extraído do alívio. Alívio este que se sentia no despir de seres que foram anulados pela sua própria corrupção e sujidade mental, seres estes tornados irracionais que durante milénios tiveram a arrogância de assumir o seu lugar numa falsa e indisciplinada civilização. A sua superioridade deu lugar a seres errantes, desorientados e ruidosos que nenhum animal na sua devida animalidade conseguiria suportar.
Desta forma, Ardes e a sua imponente armadura negra decorada com grossas e pontiagudas agulhas assombravam estes minúsculos e insignificantes seres que mais tarde ou mais cedo, acabariam por ser contemplados por sinistras mandíbulas.
Não existiam eufemismos possíveis para caracterizar a ira deste Leão, hipérboles seriam mais apropriadas na descrição detalhada de um animal como este, com o seu pêlo, juba pálida e olheiras que pareciam escavar-se nos seus próprios olhos.
Mas seria este leão passivo a uma silhueta feminina humana e mais que tudo, enganadora? Todo o humano era alvo perante os olhos da fome desequilibrada deste colosso. Sendo assim, Ardes impôs as suas atrocidades perante esta silhueta elegante de mulher, cujos olhos mergulhados numa espécie de orvalho marinho não serviram para motivar a piedade deste grotesco ser.
Saboreando ele os seus habituais e magnânimos bifes de uma suposta vitória mais do que somada, os frágeis lábios da rapariga ainda se moviam em sua elegância, recusando o seu estado de invalidez física perante o ataque.
O leão travou os seus sedentos apetites para ouvir o discurso da rapariga, as palavras iriam pesar...principalmente no interior digestivo deste Leão:

" Este extermínio foi edificar uma extensa necrópole que não conheceu sabores ou essências, conheceu restos, conheceu puras e simples lixeiras..."

Ardes, ao dissolver os seus olhares sobre os orvalhos marítimos dos olhos dela, a sua consciência pesou e este engoliu-se a si próprio. E assim conheceu o seu armazém necrológico, as catacumbas sucessivas dentro do seu intestino. No tecto podia observar as suas próprias vilosidades como uma espécie de ornamento arquitectónico e as paredes eram a acumulação de túmulos ao longo de uma dieta repetitiva. O problema não estava na quantidade de vítimas armazenadas, a grande problemática estava na guerra que ele tinha instalado no seu interior, parecia ser quase infindável. Mas a partir do momento que ele conheceu o rosto desta bela rapariga no seu colo, admitiu uma espécie de animalidade que afinal existia no interior das suas aurículas e ventrículos. Desta forma, Ardes deitou os seus dois dedos grossos sobre a sua língua grossa e carnuda, vomitando em glória os restos da rapariga que secaram sobre a sua pele e lhe reconstituíram a monumentalidade bela da sua silhueta. E lentamente as suas feições de rapariga começavam a desaparecer do seu rosto, um vasto terreno de pêlos crescia elegantemente por todo o seu corpo assumindo-se como uma loba cujos olhos eram pêndulos solares. A animalidade de Ardes esteve no acto de admitir que tal ser merecia ser armazenado em crepúsculos extensos e territoriais. A loba gozou a decadência dos humanos, ou seja, a sua inexistência e a sua passividade foi um prazer de carne e alma, passividade esta que não é de maneira nenhuma condenável. Religiosidade anulada e inútil, o natural atingira o pleno apogeu, agora só bastava contemplar.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Moonlight Overdose




"Still Writting here as I feel the moon enlighting my head and my favourite song, The song of Ravens"

"Still trying to find which way my river runs, but first I need to get rid of the glue that is stuck on my feet"

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Mind Elvenpath (1991-?) A Chama moça do Ego

Mind Elvenpath, nascido no ano de 1991, descendente de uma família com um passado totalmente construído à base de lendas e mitos. James Mind nasce numa noite cantada por corvos, juntamente com ele nasce o seu gémeo Siren Nightingale. O pai, Lorde Midian Mordanto "Iluminarius" Elvenpath era um lunático e narcisista mestre das artes que estuda incansavelmente a história e os enigmas por detrás da mitologia que a sua família deixou para trás. O título do Lorde Midian de "Iluminarius" era o titulo do "Iluminado", aquele que se aproximava do saber total e todo o poder sobre ele, sendo a exaltação do seu ego incondicional. Mas o nascimento dos seus dois filhos pôs em risco a sua enorme reputação, já que os dois estavam dotados de uma anomalia que lhes dava a capacidade de desenhar e tornar real, tendo os dois uma fértil imaginação que os possibilitava de criar todo o tipo de realidade e aproximarem-se assim da fasquia do seu próprio pai. Lorde Midian desejava imponência e invoca uma parente falecida do seu jarro de cinzas, uma sedutora mulher metade humana, metade Loba, Safira Mirror Elvenpath (1960-1987),sua sobrinha. A envolvência carnal com esta Loba iria retirar a sua capacidade intelectual e reduzir a sua capacidade de raciocinio e resposta rápida, tornando-os retardados. Este ataque esteve suspenso durante sete anos, mal os dois rapazes Siren e Mind completam quinze anos, os dois estavam prestes a ser seduzidos por Safira, cujos olhos e focinho cegam a racionalidade de qualquer homem. Siren era o mais imaturo e ingénuo, sendo ele mais delicado e simpático que o irmão Mind, caindo com facilidade nas mãos daquela Loba ninfomaniaca. E assim, aquelas mãos de adolescente deliciaram-se com aquele pêlo feminino que se eriçava em histeria visceral, em delicias terrenas e o mimalho focinho de Safira deliciava-se nas testas do rapaz, derramando suavemente a saliva que o convertia lentamente num ignorante. Resumidamente, era uma mulher Loba que seduzia a racionalidade dos homens para a retirar e doar essa capacidade a certos animais que a merecem, uma espécie de "The Maiden of Animals, the Whore of Rationals". Mind verificou a incapacidade de Siren, revelando ele uma mentalidade muito abaixo da sua faixa etária. A saliva de Safira congelou a actividade de algumas das sinapses de Siren e as glândulas salivares da Loba absorveram as capacidades mais aguçadas do rapaz. Mind descobre este ultraje, o facto do pai não desejar a evolução intelectual dos seus filhos, decide desafiar o seu enorme pai de dois metros e quinze. Mind recusava-se a ser um vegetal e ao seu mero vegetar no mundo e estava determinado a destruir o ego de Lorde Midian caso ele levasse este projecto avante. A biblioteca do Lorde Midian acabou destruida por desenhos caóticos de Mind no seu diário gráfico, que se projectaram e espalharam o completo caos.
Os dois irmãos decidem traçar cada um o seu próprio destino. Siren acaba por adormecer inconsciente numa floresta em que repousa, sofrendo depois uma amnésia parcial. Futuramente, a este rapaz espera-lhe uma vida boémia de sexo e álcool e uma rejeição total de qualquer tipo de intelectualidade.
Mind irá criar um mundo só dele, criando-o totalmente através do desenho, do uso imaginação e desejos interiores. Cria continuas vivências estéticas até a sociedade condicionar a sua liberdade criativa e assim revoltar-se deveras e tornar-se num vilão que combate a máquina governamental que asfixia constantemente a arte.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Instinto Paternal Pós-Morte



Este é Mind Elvenpath, assistindo ao nascimento da filha Spiritta Bohemyann Sullivan Elvenpath.

Desenho executado a esferográfica e aguarela.

Parabéns Ana Sofia Cartaxo Miranda Machado!

quinta-feira, 12 de março de 2009

Siren Nightingale "Upgrade" da personagem



Aproveito para falar um pouco da personagem, de Siren Nightingale. Uma personagem que criei no verão passado, um rapaz que se torna ninfomaníaco após se ter envolvido com uma sereia e ter sofrido mutações dolorosas que modificam completamente o seu estilo de vida anterior. Siren é o irmão gémeo de Mind Elvenpath, ambos com uma mentalidade muito diferente um do outro. Siren é dotado de uma anomalia que lhe dá a capacidade de tornar real tudo aquilo que desenha, permitindo elaborar todo tipo de ambientes e cenários. Siren nunca tinha o hábito de desenhar, ao contrário do irmão (mais uma vez, as mentalidades divergem), até um dia registar o seu diário uma pequena poça de água que rapidamente se projectou para a realidade, aparecendo perante ele um enorme rio perante a floresta. Siren mergulhou aqueles estranhos ambientes que acabara de criar, mas acaba por ser seduzido por uma sereia que se apresentava numa forma pouco convencional, duas barbatanas e uma vulva no meio delas. Siren acaba por desvendar as suas curiosidades e perder a virgindade. Segundos depois, sangues começam a escorrer do seu pescoço e várias fissuras começam-se a abrir nas suas peles. Uma enormíssima barbatana caudal cresce do seu rabo e mais uma série delas cresce nas suas virilhas e crescem-lhe guelras. Voltando à superficie terrestre, Siren tinha pouca capacidade de se aguentar a nivel terreno. Siren tornou-se sedento pelo fruto anal da mulher e assim desenhou, extendendo o lago a uma infinita distância, desenhando e multiplicando múltiplas sereias. Siren viveu numa constante vida boémia, acabando todas as noites bêbado em rum, adormecido num monte de algas.

Este desenho é um "Upgrade" de Siren. Corresponde à fase de total amadurecimento e apogeu da sua loucura. Nesta fase da sua vida, já tem 22 anos. Este "Upgrade" atravessa uma fase dolorosa da sua vida. Siren revela secretamente sentimentos por uma sereia que nasce com um veneno epidérmico e todo o seu impulso de amor concentra-se somente naquela mulher marinha. Uma fase da vida em que Siren abandona a sua inconsciência e interesse total pela diversão e folia. Continuando moderadamente um ser boémio, Siren tem consciência que não apareceu neste mundo para ser um "cadáver adiado que procria". Shori Posedíno, dos seres mais enigmáticos daqueles lagos. Amor é também definido como um sentimento que surge da ausência daquilo que não se tem. A história ainda tem que ser melhor estudada, já que a personagem sofre uma segunda metamorfose como é visivel no desenho, estando as suas costas equipadas por assustadores tentáculos. Apresentarei em breve a conclusão da história por detrás do "Upgrade" de Siren.
Siren apreciava os festins e as folias da vida, gostava de se sentir grande, embebedar-se de rum e adormecer bebâdo num monte de algas, acordando no outro dia sem saber quantas sereias fodeu. Mind era completamente diferente, sonhava com as suas musas, sonhava um amor inabalável, romântico e dramático com Maria Elvenpath. Queria somente pesquisar o seu abismo interior e criar continuas obras de arte! Sendo assim, era frio e considerava a sociedade sua inimiga, limitando a sua liberdade de criação e de experiencialismo estético.
Mentalidades que pareciam ser incompativeis entre dois irmãos.
Mas ambos tinham o mesmo perfil longo, olhos pestanudos, penetrantes e nariz grande.

domingo, 9 de novembro de 2008

Saxion Amoremort (?-?)

Saxion Amoremort, um demónio milenar criado pelos mitos inconscientes da ignorância da Idade Média. Fantasia e Religião eram os dois expoentes unidos e imbativeis da época, não há religião sem se acreditar em certas fantasias. Hereges eram aqueles que simplesmente não acreditavam em fantasias e condenados eram aqueles que tinham sabedoria. Os ignorantes bárbaros, pelos seus actos de rudeza e de mente repleta de fanáticos mitos falaciosos criaram um monstro. Este monstro andrógeno, sem qualquer identidade sexual, nervuras de visceras e ramos o compunham, dotado de um sorriso feliz e macábro e em profundos níveis de seu corpo habitavam os frios olhares de um mocho que o protege da ignorância. Uma vasta gama de medos carnais balançavam aquelas miúdas sinapses nervosas dos lendários e insignificantes. Dentro de suas mentes, a falta de humanidade e a sua limitação em acreditarem em surreais mitologias e fantasias, foi a semente da dádiva de nascimento a um medo tumular chamado de "Amoremort". Saxion esconde-se em florestas nunca embarcadas, pântanos nunca mergulhados, grutas nunca pisadas, lugares onde o preconceito dominava em apogeu. E assim, durante centenários, este demónio foi um predador mal interpretado. Por detrás de um olhar gélido cheio de satanismos e disfemismos, garras que despiram mil e uma carnes, encontra-se um colossal mal-entendido. Era sim um demónio, que exprimia o seu amor e ingenuidade de forma violenta, mal interpretada e mortal a seus hóspedes corajosos. Assim se chamava ele, de Amoremort, o amor perverso recalcado numa besta furiosa. Saxion era um demónio com extremos vícios sexuais, violando sequóias ou mesmo humanos que invadiam aqueles aleatórios ambientes. E assim é este, o amor de Saxion, que decapitaria, mutilaria qualquer ser. Um ser hermafrodito, apesar de ter esculpida uma vulva no meio de suas ancas vegetalistas. E assim, este monstro viveu milénios e irá viver continuos centenários de fome repetitiva. A ignorância é algo que nunca se irá eclipsar, o mito nunca irá cessar! (Apresentarei o desenho da personagem)

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Canção do Corvo para o Cisne

O Ultra Romantismo do Sec. XIX dominava as mentes da época! Trajectos frios de cinza, negrume dos trajes que circuncisavam cidades entristecidas. Em mansões isolavam-se artistas, poetas perdidos no seu abismo interior de dimensões do fantástico. Deliciosas eram todas elas, sim eu compreendo-vos! A vida é dura e os pesos que ela nos carrega são diversos e das mais complexas formas. Rosto pálido e devastado era o do escritor Timothy Thalmadge, o chamado "poeta sem sobrancelhas". Miserável e rico era ele, vivendo só na sua mansão concentrado em madeiras velhas de secretárias, despedaçado coração de ver a sua mulher adornada por um leito de morte. Iluminação de velas eram invocações de caos na sua mente. Rumores diziam que este não usava tinta para escrever, mas sim sangue! Sangue era a sua tinta, que tanto consumiu até ter desmaiado em puros fatos pálidos! Reencarnações, sim todos acreditam, pois todos querem fugir da cegueira do limbo. Mas sim, Timothy fugiu deste lugar com sucesso. Reencarnando nas condições do animal da morte, o corvo! O corvo que vagueava habitações tumulares contrastando com as cinzas da época. Ousou a alegoria de Timothy Thalmadge trespassar as grades que dividiam campas. Explorou um lago e deu de caras com um cisne! O cisne da sua falecida esposa. Mas estas espécies, tão distintas uma da outra: a rebeldia do corvo e a graciosidade do cisne. As penas caiam lentamente das asas do corvo, enchendo um lago de prata em particulas negras. O corvo nunca poderá, nem ousará boiar aquele lago de amores. O corvo encontrou dor, de vivo e de morto, afinal ambas existiam! Visionava o humano numa ave, bicos eram lábios, asas eram braços angélicos, pescoço era elegância, penas eram as visceras que se eriçavam em sexualidade eufórica.
O verão das vidas há de sempre morrer depressa. Não se pode pedir justificações, porque muitas vezes parecem inúteis. O corvo corria o risco de se depenar a partir de agora, sempre que tentava trespassar aquelas grades. Um circulo de traições e novos rumos nos aparece perante a vida, temos que o aceitar infelizmente! Timothy cantou, durante anos, a canção de um corvo para um cisne distante: " Incorrespondências são demasiadas, solidões não faltam, pensamentos não param de planar no preto desta mente, Cinzas espalham-se em corredores, os sangues escoaram-se sobre folhas de papel que me despiram as carnes lentamente".