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segunda-feira, 21 de março de 2011

Xerazade in the Wolfshell


A Concha-Lobo guarda um poder superior aos das suas próprias mandíbulas e caninos, o discurso é o predador construtivo e activista!

domingo, 17 de outubro de 2010

Love Will Tear us Apart


When the routine bites hard
And ambitions are low
And the resentment rides high
But emotions won't grow
And we're changing our ways
Taking different roads
Then love, love will tear us apart again

Why is the bedroom so cold
Turned away on your side?
Is my timing that flawed
Our respect run so dry?
Yet there's still this appeal
That we've kept through our lives
Love, love will tear us apart again

Do you cry out in your sleep
All my failings exposed
Get a taste in my mouth
As desperation takes hold
Is it something so good
Just can't function no more?
When love, love will tear us apart again


Joy Division

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Death of Love - a Tragédia de Siren



E este é o fim destinado a Siren. Homem que nunca foi habituado a contrariar as suas próprias vontades e tentações, que dedicou dezoito anos inteiros da sua vida a uma vida boémia, de ócio inesgotável, de sexo e álcool que lhe estourava lentamente as sinapses do cérebro. Mas a vida começava a complicar e o reino marinho revelava instabilidade, as fêmeas conheceram a humanidade em si que lhes tornou reles e conflituosas, não havia Siren para interferir no seu reino. Era a paixão descontrolada por Posedino, dotada do veneno mais temido daqueles mares, uma mulher serena que lia diariamente as faces dos seres marinhos, descobrindo o seu pavor inabalável sem qualquer fundamento. Rapariga só, porque o mistério é sedução e o misterioso seduz o nosso Siren. O amor muitas vezes surge do desconhecido e o desconhecido pode ser erro, pode ser aprendizagem, pode conduzir-nos à fortuna, o amor surge como um sentimento de ausência daquilo que nos falta e a sua ausência causa dor. E é preciso procurar mistérios, porque sem eles, será que a vida faz algum sentido? É de louvar a recusa de uma constante objectividade! Posedino e Siren durante dois anos tentaram contrair um amor intenso e não cair na tentação, simplesmente se resumiam a caricias minimalistas. Siren ditou o seu destino e decidiu sacrificar-se para levar o seu amor a pleno apogeu e Posedino tentou evitar o sedento apetite do namorado, mas este não tolera a sua passividade amorosa. Gostava de dar um fim de vida a esta personagem com um pouco mais de "suminho", neste caso quero expressar melhor a falta de controle emocional, o sofrimento que conduzem os nossos recalcamentos e a mágoa daquilo que acumulamos em nós sem meio de o expressar.

Where will you be when they're vilifying?
How will they see when the truth is blinding?
Where will you be my darling?
Where will you be when they're vilifying?

Where will you be when the dark is rising?
How will you keep from it's terrorizing?
Where will you be my darling?
Where will you be when the dark is rising?

Death of Love - Cradle of Filth


Este poderá ser uma conclusão possivel da história de Siren, mas não a encarem como definitiva.
Aliás, também estou um pouco indeciso, a imponência desta personagem não pode ser abalada de uma forma tão radical na minha opinião. Mas afinal de contas, é uma ideia e vale a pena ser publicada aqui no meu blogue!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Derradeira Destruição do Crepúsculo

Anunciação do Perdão
A um impecável Vilão
Em crimes cheios de explicação

Sinto brisas frias
Das ruínas do Eclipse
Que tu e eu desmoronamos
Para cessar a nossa estupidez

E perante esta mente
Eu caminho perante gelos desérticos
Que esta maldita sereia me cantou
Maldita sereia que me seduziu
Seduziu através de chorosos e tímidos uivos

Cai do crepúsculo abaixo
Bati a pique com minha cabeça
Acordei para a nudez
E agora vejo peixes putrefactos

Acentuaste o meu demónio
Que quer romper as minhas peles
E ingerir humanos
Descascá-los com seus maxilares

Há que superar, há que superar
O crepúsculo que eu ao longe avisto
E que dói na alma
Enquanto eu me encontro no Inverno
No gelo oco do estável da vida

E agora iremos os dois
Subir uma montanha congelada e oculta
Lutaremos até à morte
Como dois guerreiros de ego raivoso

Vagueamos em ventos da morte
Tentamos eclipsar sentimentos estúpidos
E revelar-te-ei
O quanto venenosa é a tua beleza

Sobre glaciares gelados
A nossa dança de suores é travada
E meu amor morrerá de vez
E tu morrerás em minha mente

Sacrifico-te para honrar o negro
Negro negrume de minha alma
Os veludos da sanidade
Que pairam em sangues cerebrais

Tiago Araújo

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Abismos Proibidos

Já nem sei
Que abismo é merecedor
Merecedor dos meus passos

Estes abismos não cessam
Sucedem e perseguem-se
Como espectros poderosos

Quando é que meus passos
Irão subir o torreão de um castelo
Um castelo construído sobre crepúsculos
Crepúsculos de sons harmónicos

Cada vez temo mais
As facadas da ausência
Ausência da correspondência
Não há beijo que me salve

Uma rosa do crepúsculo
De amores aleatórios
Cresceu e cresceu
Acabando desgraçadamente
Banhada numa maresia de esqueletos

Ó Lobo que uivas
Criaturas resguardadas e chorosas
Perdoem este ninho do nada
Do nada que nada pariu
Nem fruto saudável fez germinar

Madeiras velhas de secretárias
Sobre as torres da minha mente
Abro as fechaduras douradas
Para visionar aquele caos ambiental
Papéis dispersos e alegóricos
O dilúvio de gavetas

Minha alma incendia-se
Em chamas e símbolos de coragem
Carnes de minha mão querem arrumar
Caos de minhas gavetas
Um arrumar calmo de pensamentos
Arrumando um trilho de lágrimas

O terraço dos sonhos
Repleto de rosas mastigadas
Um mundo proibido que rejeita meu passo
Estarei eu, destinado
A engolir crânios a minha vida inteira?

Tiago Araújo

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

A Gata das Trevas

Sobre chuvas espontâneas
Águas deprimidas
Gelos e Lumes
Eu avistei

Lá estava, mas que criatura!
Olhos satanicamente divididos
Por abismos simétricos
Mas que frieza!

Mas que metáfora vem a ser esta?
Esta emoção de amor e morte
Estes pólos extremistas
Ai, que assombro

Camuflagem das Trevas
Negro do Azar
Olhares de má fortuna
Terror nas Ramificações
De minha alma

Mas que Ultra Romantismo tem sido este ultimamente? - Questiono-me.

domingo, 19 de outubro de 2008

A Armadura de um Sexto Sonho

Minha boca
ensaguentada estava ela
Alegorias mutilantes
Venenos segregantes

Mantos rastejantes
De pedras renegadas
Rastejava eu neles
Sem acreditar em reflexos

Verde brilhantina armadura
Descendência de um arcanjo
De onde vens tu?
Quais são tuas preces?

Ousaste em exprimir brilhos
Sobre minhas retinas
Ergueste forças enquanto levantavas asas
Saboreamos o nosso sangue
Beijos da imaginação incorrespondida
Sobre a Lua esfomeada
Perdão surreal este e eu
Não me atrevi sequer
A revelar tabus!

O Sétimo Sonho

Este foi mais um sonho
Para esta vasta colectânea
Que enche lentamente
Dilúvios de minha alma

Estávamos os dois
Dois felinos enroscados
Inocentes Inconscientes
Anarquias de nossas mentes

Abraços surreais
Naquela caixa de cartão
Vivências de um ninho de anjos

Mas entretanto o despertar
Senti suaves gotas de tinta
Sobre minhas testas
Escreviam lentamente
Letras cruas do mecanicismo...
Real!

Ilustração do Poema que está "Escrito na Pedra"


"Cresceu-me uma pérola no coração, mas estou só, não tenho a quem deixar"

Al Berto (1948-1997)
Sangue não é uma expressividade de agressão, mas sim de amor. O sangue derrama-se, não como uma forma de sofrimento físico mas sim emocional. Ali encontra-se, deslocado, um ser que nem tem consciência do mundo envolvente e de si próprio. Coberto de espinhos, da repulsa que este causa, a única vida que lhe resta são folhas que lhe crescem sobre a testa, o germinar de pensamentos rejeitados sem correspondência! Demónio de dentição feroz alimenta-se em seu crânio, representação da sua raiva, revolta recalcada sem expressão possível. Garras do sentimento cresceram em suas auriculas, um toque cego sobre superfícies naturais, toques que saboreiam o tacto de uma pérola alegórica das entranhas. Praias sanguinolentas albergam exuberantes naturezas que tanto querem saborear o gracioso tacto desta pérola. Os olhos de ninfa que se escondem numa tímida árvore protegida por chorosas folhas de limonete, querem conhecer e roubar o sentimento a este terráqueo ser. Deglutição da pérola, esta autêntica relíquia de masturbação mental!

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Abandonando o Crepúsculo

Vou abandonar este nicho de mistérios
Este nevoeiro mental
Me tem dificultado pensamentos
Tapando as vistas em cegueira

Este Crepúsculo vindo do nada
De onde vieste tu? Diz-me?
Este crepúsculo que me agarra
Agarra em âncoras autónomas

Crepúsculo este
Quantas vezes eu repousei nele
Em sonos impossiveis
E sonhos sintéticos
Dos momentos do Nunca

Vou abandoná-lo
E procurar outros nichos
Que sejam dignos de consolação
Ser guerreiro novamente!

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Canção do Corvo para o Cisne

O Ultra Romantismo do Sec. XIX dominava as mentes da época! Trajectos frios de cinza, negrume dos trajes que circuncisavam cidades entristecidas. Em mansões isolavam-se artistas, poetas perdidos no seu abismo interior de dimensões do fantástico. Deliciosas eram todas elas, sim eu compreendo-vos! A vida é dura e os pesos que ela nos carrega são diversos e das mais complexas formas. Rosto pálido e devastado era o do escritor Timothy Thalmadge, o chamado "poeta sem sobrancelhas". Miserável e rico era ele, vivendo só na sua mansão concentrado em madeiras velhas de secretárias, despedaçado coração de ver a sua mulher adornada por um leito de morte. Iluminação de velas eram invocações de caos na sua mente. Rumores diziam que este não usava tinta para escrever, mas sim sangue! Sangue era a sua tinta, que tanto consumiu até ter desmaiado em puros fatos pálidos! Reencarnações, sim todos acreditam, pois todos querem fugir da cegueira do limbo. Mas sim, Timothy fugiu deste lugar com sucesso. Reencarnando nas condições do animal da morte, o corvo! O corvo que vagueava habitações tumulares contrastando com as cinzas da época. Ousou a alegoria de Timothy Thalmadge trespassar as grades que dividiam campas. Explorou um lago e deu de caras com um cisne! O cisne da sua falecida esposa. Mas estas espécies, tão distintas uma da outra: a rebeldia do corvo e a graciosidade do cisne. As penas caiam lentamente das asas do corvo, enchendo um lago de prata em particulas negras. O corvo nunca poderá, nem ousará boiar aquele lago de amores. O corvo encontrou dor, de vivo e de morto, afinal ambas existiam! Visionava o humano numa ave, bicos eram lábios, asas eram braços angélicos, pescoço era elegância, penas eram as visceras que se eriçavam em sexualidade eufórica.
O verão das vidas há de sempre morrer depressa. Não se pode pedir justificações, porque muitas vezes parecem inúteis. O corvo corria o risco de se depenar a partir de agora, sempre que tentava trespassar aquelas grades. Um circulo de traições e novos rumos nos aparece perante a vida, temos que o aceitar infelizmente! Timothy cantou, durante anos, a canção de um corvo para um cisne distante: " Incorrespondências são demasiadas, solidões não faltam, pensamentos não param de planar no preto desta mente, Cinzas espalham-se em corredores, os sangues escoaram-se sobre folhas de papel que me despiram as carnes lentamente".