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domingo, 8 de maio de 2011

The Basking Shark Surrender


O Tubarão-Frade rende-se perante o Ragnarok, as lobas minam o seu psicológico com a sua bela argumentação, cada ser humano a partir de agora poderá ser Deus de si próprio!

segunda-feira, 21 de março de 2011

Xerazade in the Wolfshell


A Concha-Lobo guarda um poder superior aos das suas próprias mandíbulas e caninos, o discurso é o predador construtivo e activista!

domingo, 30 de janeiro de 2011

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Corvo Sorridente

O corvo do museu de zoologia que estou a desenhar para uma suposta "ilustração cientifica", ele parece que está a sorrir para mim e parece ter a vontade de piscar-me o olho à medida que os esquissos iniciais se vão desenvolvendo. Insisto em vincar-lhe aquele sorriso que, segundo o meu professor de desenho, diz ser uma tendência que todos nós temos para personificar o real e o que nos rodeia. Se existe fuga mais apetecível é à representação congelada de um mundo na sua desordem. Mas se aquele corvo não estivesse mórbido e fixo naquele pedestal, acho que teria toda a vontade de sorrir perante mim e o meu diário gráfico Porque afinal de contas, somos muito parecidos!

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Lagos Nebulosos




Se eu prolongasse os meus passos perante os nevoeiros, talvez as suas cortinas me dessem a conhecer outras coisas. Talvez conhecesse outro tipo de águas e outros tipos de tacto, ver os mecanismos e toda a sua imagem enferrujada e destruída de vez, seria o delírio aspirante!

domingo, 15 de agosto de 2010

Delírio Esfumado

Era sem dúvida delirante. Sendo a experiência e a apreciação uma coisa constantemente variante e subjectiva sempre mencionei que estas não podem ser facilmente manipuláveis ou influenciáveis. Somos júris individuais ao apreciar aquilo que nos rodeia e o facto de sermos apreciadores individuais em grande parte das vezes é um factor que individualiza a nossa pessoa e nos converte à unicidade. Absorvemos situações, são nos deixadas pegadas temporais de diferentes dimensões sobre as nossas peles, o que torna a aprovação de influências um processo unicamente nosso.
E foi no dia 12 de Agosto, o imprevisível nevoeiro invadiu Aveiro. Ele pousa sempre de uma forma melancólica, ao mesmo tempo de uma belíssima forma, é eufemismo de si próprio, impõe à nossa frente uma camada de enigmas que alimentam um curioso e bonito mistério cujos passos desfazem fechaduras. Era uma espécie de tenebrismo iluminado, mas o delírio ainda nem sequer tinha chegado. O pinhal que se impunha à minha volta já tinha feito um chamamento bastante sedutor, as árvores escondiam-se em profundidades tímidas naquele dito nevoeiro. O belo está na solidão das linhas de horizonte, na forma como são deixadas sóbrias sem funções mecânicas, derretem-se sobre as planícies, a areia e todo o tipo de belo terreno.
Os meus pés iam caminhando sobre a areia, o tenebrismo iluminado no nevoeiro construiu uma arquitectura gasosa e espessa naquela praia, o mar calmo surgia como um ornamento que acasalava em harmonia com a pálida areia. Véus brancos em danças monótonas, ocultavam verdades inexistentes e oníricas alimentadas pelo meu ego. Em ansiedade, os meus passos levavam-me a encontros subliminares, de um subliminar que só me pertence. E o mar lembrava-me os orvalhos verdes e tímidos que em tempos gostei imenso de contemplar. Os meus olhos boiavam perante a paisagem, sendo arejados, a única coisa que queria naquele momento sem repetição possível era isolar-me e esquecer que as pessoas, as cidades e o sistema existem. Esta é a memória fotográfica de um momento metafísico, um tangente abandono do físico.

Abraços congelados e Pensamentos de Corvo



Abraços de lobo numa altura destas tornam-se anacrónicos de uma forma lenta e triste, são fragmentos que montam um lento glaciar que se aloja em secretos ventrículos. O nevoeiro do asco torna-se espesso, a estandardização dos humanos é contínua, o seu sistema sofre de falta de insólito. Os mecanismos não conhecem mitologias, aquelas mitologias banhadas em verdes e bonitos orvalhos. Toda a gente insiste, insiste em que vejamos o mundo como uma roda dentada e industrial, lubrificá-lo com merda só o faz mais brilhante por ridículo que seja. A programação de televisores oculares repete as suas enfadonhas gravações de forma a inserirem-se na minha organização psíquica, para que sejam aceites em plena passividade. Mas o calor das minhas órbitas ainda vai fazer derreter esses televisores de uma vez por todas, desfazendo as suas camadas de filtro cinzento.
Eles querem que eu veja o mundo como uma roda dentada, e eu disse que Não!

terça-feira, 13 de julho de 2010

Aversões

No outro dia caminhava, sentia uma leve gelatina que parecia derreter-se sobre os meus olhos, era uma sensação de vazio e de simulação contínua mas que parecia dilatar-se naquele preciso momento. Não sei o porquê destas sensações aleatórias e cumulativas, muitas vezes os meus olhos parecem ser televisores que repetem incansavelmente a mesma gravação, a mesma cassete. A programação já não sabia o significado das diferentes estações, os ecrãs estavam mergulhados num estranho e monótono invólucro cor de cinza. Era como o doce e bizarro sabor de uma pêra que acaba de ser embriagada num vinho melancólico. Ainda não descobri o botão de "zapping" frenético e quase alucinogénico que outrora conheci, a êxtase do tudo novo e a anulação dos novos anteriores. Quero mudar de canais, quero mudar de programações, quero que os meus olhos sejam aquários e não televisores. E assim, quero encher estes aquários com riquezas e não círculos repetitivos! Odeio as coisas repetitivas que esta humanidade ama, o carneirismo, a religião, as modas, o elitismo, o consumismo, as atrocidades, os juízos ocos, as competições sem sentido, odeio! Quero sentir os aquários a navegar sobre águas desconhecidas cujas profundidades me conduzem a um metafísico desejável, as melodias de tudo aquilo que não existe. Os meus aquários não são feitos de vidro, são inconstantes, assumem as formas que forem precisas para assim saltarem de metafísico em metafísico. Quero que o meu coração seja harmónica, que dê som infindável, sentir sopros constantes e naturais e esquecer tudo aquilo se esconde por detrás do rochedo.

domingo, 27 de junho de 2010

"Intro-Espectro" fanzine















Dimensão espectral refere-se o introspectivo espectro, o interior oceânico banhado na polaridade de pulsões freudianas. Ardes vinga-se dos seres decadentes humanos, desalmados tal como ele. A carnificina impulsiva é perda de tempo, sensações de êxtase natural era realmente o que estava em vigor, Ardes será salvo pela "Xerazade" inicialmente duvidosa e androgina que lhe irá revelar a dolorosa verdade acerca da sua necrópole. As dimensões oceânicas resumem-se a puras e simples idealizações, flutuações desejadas e incorrespondidas, o corvo irá dilatar as minhas retinas e fazer o lobo nascer em mim, a pura e simples falta de conformismo.

sábado, 5 de junho de 2010

Indigestão de corações

Era uma vez um ser narigudo qualquer
Gostava de comer corações
Corações aleatórios com frenético bombear
Temperá-los com sal e pimenta
Mas ficava admirado
Quando olhava para o fundo da sua sanita
E observava um pequeno ser humano
A flutuar na diarreia dos corações ingeridos
Ser humano que era da espécie "homo corruptus"

segunda-feira, 24 de maio de 2010

A Lição do Corvo

O Corvo sussurrou uma lição ao meu ouvido que eu terei sempre em conta:


“Assim te recebo no meu colo meu caro Leonardo, para te dar
o sermão deveras marcante da tua vida: não existe tanque
magnânimo e ilusório que te iluda uma vida inteira, por
muito que sonhes abraços de baleias ou com crepúsculos
idealizados, os seres mecanicistas
que compõem o rebanho deste pérfido mundo nunca
imaginaram os abraços das baleias, esses só sabem imaginar um
sábio falhado e omnipotente cujas éticas são inquestionáveis e
lhes retiram total autonomia. A palavra “deus” deve ser
pronunciada com letra minúscula, porque a piedade vinda deste
ser enfraquece, motiva a passividade perante a vida.
Tu serás o lobo que não se conforma com o rebanho,
que irá criar dimensões infindáveis sem se reger por qualquer tipo
de cânone.
Este jogo que foi aberto à humanidade está mais do que
viciado e aldrabado. Tu serás e terás que ser a emancipação..."

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Ardes e a Necrópole Intestinal



Sobre savanas infindáveis que ardiam sob a fúria do imponente Leão Ardes, os leitos da carnificina estendiam-se sobre as ervas como um sumo extraído do alívio. Alívio este que se sentia no despir de seres que foram anulados pela sua própria corrupção e sujidade mental, seres estes tornados irracionais que durante milénios tiveram a arrogância de assumir o seu lugar numa falsa e indisciplinada civilização. A sua superioridade deu lugar a seres errantes, desorientados e ruidosos que nenhum animal na sua devida animalidade conseguiria suportar.
Desta forma, Ardes e a sua imponente armadura negra decorada com grossas e pontiagudas agulhas assombravam estes minúsculos e insignificantes seres que mais tarde ou mais cedo, acabariam por ser contemplados por sinistras mandíbulas.
Não existiam eufemismos possíveis para caracterizar a ira deste Leão, hipérboles seriam mais apropriadas na descrição detalhada de um animal como este, com o seu pêlo, juba pálida e olheiras que pareciam escavar-se nos seus próprios olhos.
Mas seria este leão passivo a uma silhueta feminina humana e mais que tudo, enganadora? Todo o humano era alvo perante os olhos da fome desequilibrada deste colosso. Sendo assim, Ardes impôs as suas atrocidades perante esta silhueta elegante de mulher, cujos olhos mergulhados numa espécie de orvalho marinho não serviram para motivar a piedade deste grotesco ser.
Saboreando ele os seus habituais e magnânimos bifes de uma suposta vitória mais do que somada, os frágeis lábios da rapariga ainda se moviam em sua elegância, recusando o seu estado de invalidez física perante o ataque.
O leão travou os seus sedentos apetites para ouvir o discurso da rapariga, as palavras iriam pesar...principalmente no interior digestivo deste Leão:

" Este extermínio foi edificar uma extensa necrópole que não conheceu sabores ou essências, conheceu restos, conheceu puras e simples lixeiras..."

Ardes, ao dissolver os seus olhares sobre os orvalhos marítimos dos olhos dela, a sua consciência pesou e este engoliu-se a si próprio. E assim conheceu o seu armazém necrológico, as catacumbas sucessivas dentro do seu intestino. No tecto podia observar as suas próprias vilosidades como uma espécie de ornamento arquitectónico e as paredes eram a acumulação de túmulos ao longo de uma dieta repetitiva. O problema não estava na quantidade de vítimas armazenadas, a grande problemática estava na guerra que ele tinha instalado no seu interior, parecia ser quase infindável. Mas a partir do momento que ele conheceu o rosto desta bela rapariga no seu colo, admitiu uma espécie de animalidade que afinal existia no interior das suas aurículas e ventrículos. Desta forma, Ardes deitou os seus dois dedos grossos sobre a sua língua grossa e carnuda, vomitando em glória os restos da rapariga que secaram sobre a sua pele e lhe reconstituíram a monumentalidade bela da sua silhueta. E lentamente as suas feições de rapariga começavam a desaparecer do seu rosto, um vasto terreno de pêlos crescia elegantemente por todo o seu corpo assumindo-se como uma loba cujos olhos eram pêndulos solares. A animalidade de Ardes esteve no acto de admitir que tal ser merecia ser armazenado em crepúsculos extensos e territoriais. A loba gozou a decadência dos humanos, ou seja, a sua inexistência e a sua passividade foi um prazer de carne e alma, passividade esta que não é de maneira nenhuma condenável. Religiosidade anulada e inútil, o natural atingira o pleno apogeu, agora só bastava contemplar.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Ioneri e focinhos da perfeição


Ioneri de Fantisarius, os animais de boa vontade em vida feliz te rodearam
As máscaras e os suores da agonia viviam no eclipse, num metafísico mais do que destruido
As ruinas dessa dimensão eram doce seiva que corria nas veias qualquer ser são/insano
Nos narizes destes seres dançantes em constante festa corriam os poderosos fluídos do natural
Cujo olfacto dos desalmados não conseguia captar de maneira nenhuma
Não havia necessidade de berrar a catarse em qualquer canto desse teu mundo
Ao contrário do dito paraíso mesquinho e falsamente modernista dos mascarados
O seu molde é corrompido por uma enorme cartilagem do mal e os seus intestinos dilatam à flor da pele
Formando as faces mais tenebristas que alguma vez esta dimensão não conheceu
O pensamento de maior consolo era o pensamento de uma humanidade inexistente
Aqueles que constantemente procuravam em construir os seus picos dentro da estratosfera
Ioneri, infelizmente, no meio dessa dança, os teus pés derretiam-se como uma manteiga feliz e drogada
E a ira dos mascarados consumiu-te inocentemente, tu caíste em flagrante na armadilha deles
O teu corpo aprisionado lembra-me um mensageiro sem interpretação possível
Que acabou com espinhos cranianos e pregos a desabrochar da palma das suas mãos
Interpretado pelo rebanho dos imbecis e das bestas, enfim, os mascarados
As tuas correntes, as fissuras, as agulhas de marfim que crescem e crescem sobre a tua cabeça
Mas não há que ter preocupação
Foram os mascarados que construíram a caverna e todas as cavernas acabam por receber luz
E suor!
Suor sim, o suor que irá ser derramado e que irá libertar-te dessas correntes imbecis
Que não conhecem um metafísico decente
Deixarás de ser Infernitus
Voltarás ao estado Fantisarius
Porque o apocalipse não existe no lugar onde sempre te encontraste inserido
Não existe a mentira religiosa para te consolar, mentira que venda os olhos dos mascarados, que os impede de respirar as essências
Eles não sabem que esse ser "Sued" está mais que morto e que o diabo está de olho sobre eles
Aliás, tu tens o teu pico e deves continuar pousado sobre ele, como todos os seres felizes que te rodeiam
E que dançam e cantam, com os pés e garganta amanteigados
Que se lambem como cães, os amantes incondicionais
Mal conheças o suor daquela que te toca, tu sairás da caverna e voltarás ao teu metafísico mais que físico
A isso eu chamo a derradeira libertação para a condição do digno que tu mereces!